domingo, 11 de outubro de 2009

recuerdos en el auto.

em minhas andanças no país das llamas e da hoja de coca percebi que a criativa visão do
Brasil-mulatas-samba-Rio-caipirinha-alegria infinita e num eterno ao-deus-dará
não domina a cena local, mas há um elo irredutível,quase uma tradução simultânea entre
"hola,soy brasileña" e "el pais del fútbol!".
não,não chega ao insuportável e rende até boas histórias.

numa manhã de céu cinza(sempre assim por lá) saí de Gamarra- um grande quarteirão totalmente gradeado em volta e recheado de prédios baixos,velhos e per filados como um grande conjunto habitacional e cada um deles com subsolo.agora imagine todos os andares,todos os prédios e até as ruas cheios de lojas de qualquer coisa,altamente baratas e com etiquetas do tipo "made in china".uma mega-fusão de Toritama e 25 de Março.(e alguma semelhança com Gomorra?! total!)
bem,ao sair de lá avistei meu oásis: um táxi.
sim, depois de andar umas tres horas com infindáveis sacolas clamava por almoço e sossego.
ao entrar no táxi
(antes é claro de barganhar um precinho camarada- deus!é camarada mesmo!eles não tem taxímetro,então antes mesmo colocar a mão na porta é preciso anunciar seu rumo e ouvir o "primeiro lance" daí você entra numa disputa acirrada chegando ao preço final)
e anunciar a queridinha frase "soy brasileña" recebi sorrisos e singelos elogios, entre eles o eterno "muy bueno el fútbol!".
mas o que torna este fato mais singelo do que os tais elogios é o "recuerdo" do taxista.
segundo ele,nunca vira uma época áurea da seleção peruana, porém sabia com dados precisos e preciosos a ÚNICA vitória peruana sobre o Brasil numa copa.
após detalhar nomes de jogadores,passes e  lances inesquecíveis
(não,eu não dormi no meio-termo da conversa legal)
ele revela um desfecho curioso: acreditava que a dita única performance impecável admitia uma também única explicação: o técnico era brasileiro
"sí chiquita,no és una broma!brasileño!"

viva nós.







sábado, 10 de outubro de 2009

a bossa do acaso.

acato o samba.existe algo de intenso e bastante nele.
são traduções descaradas da gente.gente de verdade,de carne-osso-e recheio.
e é o recheio que ele invade.vem fundo sem merecer licença.
é do lamento que se cria e em  problemas do amor se fixa como próximo e comum,
mas não perde a bela alegria de estar com vida.
vive de nós.

não pretendo poesia,prosa ou construção definitiva do que é ou como é o Samba.
(dedico a letra maiúscula por homenagem)
quero somente comentar o "de dentro" por mero acaso.

tenho uma música guardada em mim a tempos e num certo "de repente" acolhi seu significado
(não por resposta a pessoa ou sentimento passado,mas sim pelo simples presente que nasce do deslumbramento)
em alguns momentos ela foi parte de mim.
a sua bossa e essência me concederam cadência pra dar passos futuros.
e olhar pro adiante é também lamentar-um lamento de respeito com cara de coragem = Samba.

"Você me deixou satisfeito
Nunca vi deixar alguém assim
Você me livrou do preconceito de partir
Agora me sinto feliz aqui"

(Satisfeito-Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte)


houveram e haverão outros muitos sambas necessários.